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quinta-feira, 23 de julho de 2026
domingo, 19 de julho de 2026
Edu Falaschi – Eldorado (2023)
Depois de surpreender com Vera Cruz (2021), Edu Falaschi retornou em 2023 com Eldorado, segundo capítulo da trilogia conceitual iniciada em sua carreira solo. Enquanto o disco anterior explorava as grandes navegações e a chegada dos portugueses ao Brasil, Eldorado transporta o ouvinte para as lendas e civilizações pré-colombianas da América Central, mantendo a proposta cinematográfica que se tornou uma das principais marcas desta fase do vocalista.
A fórmula vencedora foi mantida. Edu novamente reúne o mesmo time responsável por Vera Cruz: Aquiles Priester na bateria, Fabio Laguna nos teclados, Raphael Dafras no baixo e a dupla de guitarristas Diogo Mafra e Roberto Barros. A produção segue nas mãos de Edu e Roberto Barros, enquanto Dennis Ward retorna para entregar uma mixagem cristalina, poderosa e equilibrada. Entre os convidados especiais, o grande destaque fica por conta de José Andrea, lendário vocalista do Mägo de Oz, que adiciona ainda mais autenticidade ao clima latino presente em parte do álbum.
A curta introdução "Quetzalcóatl" cumpre perfeitamente seu papel, criando uma atmosfera digna de uma superprodução cinematográfica antes de desembocar em "Señores Del Mar (Wield the Sword)", uma das faixas mais marcantes do trabalho. A influência da música latina aparece logo nos primeiros compassos e ganha força com as passagens em espanhol interpretadas por José Andrea. O resultado é uma música extremamente cativante, épica e diferente dentro da discografia de Edu.
"Sacrifice" devolve o álbum ao território clássico do Power Metal, carregando todas as características que fizeram de Edu Falaschi um dos principais nomes do estilo: refrão forte, melodias marcantes e linhas vocais impecáveis. Em seguida surge "Empty Shell", a primeira balada do disco. Apesar de flertar com um sentimentalismo um pouco exagerado, a composição funciona dentro da proposta e não compromete o andamento do álbum.
A velocidade volta com força em "Tenochtitlán", um Power Metal acelerado que remete diretamente à energia apresentada em Vera Cruz. Já a extensa faixa-título, "Eldorado", representa um dos grandes momentos do álbum. Misturando Power e Progressive Metal com mudanças de andamento, passagens complexas e excelente dinâmica, a música mostra maturidade na composição e entrega um dos pontos mais altos do trabalho.
Outro momento de destaque é "Q'EQU'M", uma belíssima peça atmosférica conduzida pela cantora guatemalteca Sara Curruchich. Muito mais do que uma simples interlude, a faixa prepara o terreno para "Reign of Bones", que retorna ao Power Metal tradicional. Embora siga uma fórmula relativamente previsível e soe um tanto genérica em alguns momentos, ainda assim entrega tudo aquilo que o fã do gênero espera.
A segunda metade do álbum reserva "Suddenly", outra balada bastante inspirada. Aqui Edu revisita a fórmula de suas melhores canções lentas, construindo uma composição emocional e eficiente, que ainda ganhou uma versão em espanhol intitulada "Ven a Mi", incluída como faixa bônus na edição em CD.
Na reta final, "Wings of Light" chega com uma introdução grandiosa antes de desenvolver um Power Metal equilibrado, recheado de ótimos riffs e solos inspirados da dupla Diogo Mafra e Roberto Barros. O encerramento fica por conta de "In Sorrow", uma emocionante balada cuja introdução remete imediatamente a "Rainha do Luar", presente em Vera Cruz. O grande destaque aqui é a interpretação extremamente madura de Edu Falaschi, acompanhada pela delicada participação de Junior Carelli ao piano.
O maior mérito de Eldorado talvez esteja justamente onde seu antecessor dividiu opiniões. Se Vera Cruz frequentemente impressionava pelo excesso de virtuosismo e pela necessidade constante de demonstrar técnica, aqui tudo parece mais natural. As composições respiram melhor, os músicos tocam em função das canções e o resultado soa muito mais orgânico e coeso. A técnica continua presente — afinal, trata-se de músicos de altíssimo nível —, mas nunca ofusca a música.
Sem abrir mão da grandiosidade que caracteriza esta fase de sua carreira, Edu Falaschi entrega um álbum mais equilibrado, acessível e consistente. Eldorado representa uma evolução natural dentro da trilogia e certamente agradará não apenas aos fãs de sua carreira solo, mas também aos admiradores dos grandes momentos do Angra. Para aqueles que consideraram Vera Cruz excessivamente técnico, este trabalho mostra que ainda é possível unir virtuosismo, emoção e excelentes composições sem que um elemento sobreponha o outro.
Nota: 9,0/10
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Edu Falaschi – Vera Cruz (2021)
Após consolidar seu nome como uma das vozes mais importantes do Heavy Metal brasileiro à frente do Angra e, posteriormente, do Almah, Edu Falaschi encarou um novo desafio com Vera Cruz, seu primeiro álbum de estúdio em carreira solo. Lançado em 2021, o trabalho não apenas corresponde às expectativas, como reafirma a capacidade do vocalista e compositor de criar obras conceituais ambiciosas, unindo excelência musical, identidade artística e uma produção de padrão internacional.
Para dar vida ao projeto, Edu reuniu músicos que dispensam apresentações. Da fase clássica do Angra vieram Aquiles Priester, dono de uma performance impecável atrás dos tambores, e Fabio Laguna, responsável pelos refinados teclados e orquestrações. Completam o time os antigos parceiros de Almah, Raphael Dafras (baixo) e Diogo Mafra (guitarra), além do virtuoso Roberto Barros, formando uma verdadeira seleção de músicos que coloca a técnica sempre a serviço da música.
Conceitualmente, Vera Cruz narra a jornada do templário Jorge durante o período das Grandes Navegações, abordando temas como fé, conquista, coragem e descobertas. A temática histórica serve como base para uma experiência cinematográfica, enriquecida por arranjos sinfônicos, elementos folclóricos e uma produção extremamente detalhista.
A introdução Burden abre os trabalhos de maneira cinematográfica, preparando o terreno para The Ancestry, uma das faixas mais representativas do álbum. Rápida, técnica e repleta de mudanças dinâmicas, a composição sintetiza tudo aquilo que consagrou Edu Falaschi como um dos principais nomes do Power Metal mundial. Os riffs precisos, os teclados grandiosos e a performance vocal segura transformam a música em um início arrebatador.
Na sequência, Sea of Uncertainties mantém o alto nível, apostando em melodias marcantes e refrões fortes, características que sempre acompanharam a carreira do vocalista. É uma faixa que dialoga diretamente com a sonoridade desenvolvida por Edu ao longo dos anos, sem abrir mão de personalidade própria.
Skies in Your Eyes surge como o primeiro momento de maior contemplação do disco. A balada apresenta andamento cadenciado, peso na medida certa e uma interpretação vocal carregada de emoção, evidenciando uma das principais qualidades de Edu Falaschi: sua habilidade para construir melodias memoráveis sem recorrer a excessos.
Após o breve e épico interlúdio Frol De La Mar, Crosses devolve a intensidade ao álbum com uma composição veloz e fortemente enraizada no Power Metal tradicional. A precisão instrumental impressiona, especialmente pela consistência da cozinha formada por Raphael Dafras e Aquiles Priester.
Entre os momentos mais inspirados do disco está Land Ahoy. A combinação entre violões, orquestrações e uma interpretação extremamente expressiva transforma a canção em uma das mais belas composições da obra, reforçando o caráter épico que permeia todo o álbum.
Já Fire With Fire aposta em uma construção menos convencional, explorando mudanças de andamento, arranjos orquestrais e elementos étnicos que enriquecem ainda mais a narrativa proposta. A linha vocal conduz a composição com naturalidade, demonstrando mais uma vez a maturidade artística alcançada por Edu.
Em Mirror of Delusion, o grande destaque fica por conta do trabalho de Aquiles Priester. Sua performance alia velocidade, técnica e precisão, oferecendo uma verdadeira demonstração de musicalidade sem jamais comprometer a fluidez da composição.
A reta final reserva outro momento marcante com Bonfire of the Vanities, uma balada grandiosa que cresce gradativamente até atingir seu clímax emocional. O solo executado por Tito Falaschi acrescenta ainda mais sensibilidade à composição, funcionando como complemento perfeito para a interpretação do irmão.
Um dos grandes ápices de Vera Cruz chega com Face of the Storm. A participação especial de Max Cavalera estabelece um interessante contraste entre sua característica agressividade e a abordagem melódica de Edu. O resultado é uma faixa poderosa, sustentada por um refrão extremamente cativante e por um instrumental irrepreensível, figurando entre os melhores momentos do álbum.
Encerrando a obra, Rainha do Luar sintetiza toda a grandiosidade proposta pelo conceito. A participação de Elba Ramalho, interpretando trechos em português, adiciona uma identidade brasileira à composição e inevitavelmente remete à clássica Late Redemption, do álbum Temple of Shadows, gravada ao lado de Milton Nascimento. A comparação é natural, mas longe de diminuir seu impacto. Pelo contrário: a música encerra o disco de forma emocionante, reafirmando a capacidade de Edu Falaschi em unir diferentes influências culturais dentro do universo do Heavy Metal.
É impossível não associar a primeira audição de Vera Cruz ao consagrado Temple of Shadows, considerado por muitos o ponto máximo da carreira de Edu no Angra. Entretanto, conforme as audições se sucedem, torna-se evidente que este trabalho possui identidade própria. Se por um lado preserva a essência melódica e conceitual que marcou sua trajetória, por outro apresenta um compositor mais maduro, seguro e disposto a ampliar seus horizontes musicais.
Mais do que um álbum de estreia em carreira solo, Vera Cruz representa a consolidação de Edu Falaschi como um artista capaz de produzir obras de alcance internacional sem abrir mão de sua identidade. Trata-se de um disco que alia técnica, emoção, peso e sofisticação em doses equilibradas, reafirmando por que seu nome permanece entre os mais respeitados do Heavy Metal mundial.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Resenha: Dr. Sin - Alive!!!
Ao longo da década de 1990, poucas bandas brasileiras conseguiram atingir um nível técnico e composicional comparável ao do Dr. Sin. Formado pelos irmãos Busic e pelo virtuoso guitarrista Edu Ardanuy, o power trio conquistou respeito dentro e fora do Brasil graças à combinação de Hard Rock, Heavy Metal e Rock pesado executados com precisão impressionante. Era apenas questão de tempo para que essa força fosse registrada ao vivo.
Lançado em 1999, Dr. Sin Alive eterniza a energia da turnê realizada entre 1997 e 1998 pelos palcos brasileiros. Mais do que um simples álbum ao vivo, o disco é um retrato fiel da intensidade da banda diante do público, mostrando por que o Dr. Sin sempre foi considerado um dos maiores nomes do Rock e Heavy Metal nacional.
Dispensando qualquer apresentação, os três músicos entregam uma performance impecável. A cozinha formada por Ivan Busic e Andria Busic é um verdadeiro rolo compressor, enquanto Edu Ardanuy desfila riffs cortantes, solos inspirados e uma técnica que o coloca entre os maiores guitarristas do país. Ao vivo, as músicas ganham ainda mais peso, intensidade e liberdade, tornando cada execução uma experiência eletrizante.
O repertório reúne nove faixas que representam alguns dos momentos mais marcantes da carreira da banda. Clássicos como "Karma", "Down in the Trenches", "Sometimes", "Fire", a emocionante e sempre arrebatadora "Emotional Catastrophe" — um verdadeiro hino para os fãs — e a explosiva "Free Fly" aparecem ainda mais poderosas diante da resposta calorosa da plateia. É o tipo de disco que faz o ouvinte sentir que está no meio do público, acompanhando cada riff, cada solo e cada refrão cantado em uníssono.
A produção privilegia exatamente aquilo que um grande álbum ao vivo deve oferecer: espontaneidade, peso e a conexão entre banda e fãs. Sem excessos de estúdio, Dr. Sin Alive transmite toda a vibração do palco e evidencia o entrosamento absurdo do trio, que toca com a naturalidade de quem domina completamente o próprio repertório.
Mais de duas décadas após seu lançamento, Dr. Sin Alive continua sendo um dos grandes registros ao vivo produzidos no Brasil. Um álbum indispensável para quem aprecia músicos de altíssimo nível, composições que atravessam gerações e a emoção que somente uma grande apresentação de Heavy Metal é capaz de proporcionar. Aumente o volume, deixe as guitarras falarem mais alto e prepare-se para reviver uma das fases mais inspiradas do Dr. Sin. É Heavy Metal nacional executado com classe, técnica e, acima de tudo, muita atitude.🤘
Resenha: Dominus Praelii - Holding the Flag of War
Lançado originalmente em 2002 pela Megahard Records, Holding the Flag of War marcou a estreia da banda londrinense Dominus Praelii, formada em 1999 e dedicada ao mais puro Heavy Metal tradicional. Duas décadas depois, o álbum recebeu uma merecida edição comemorativa através do selo Distro Rock, trazendo remasterização e a inclusão das faixas da demo The First Battle como material bônus, valorizando ainda mais um trabalho que se tornou referência no underground brasileiro.
Com nove composições inspiradas na trajetória de Genghis Khan e na expansão do povo mongol, Holding the Flag of War apresenta um conceito épico que se encaixa perfeitamente na proposta musical da banda. A sonoridade transita entre o Heavy Metal tradicional e o Speed Metal, combinando riffs velozes, melodias marcantes e arranjos que evocam batalhas, conquistas e a grandiosidade histórica do tema abordado.
Entre os principais destaques do disco estão “Khan’s Legacy”, “Cold Winds” e “Waves of War”, faixas que sintetizam a essência do álbum ao unir peso, velocidade e forte senso melódico. As composições demonstram maturidade na construção dos arranjos, com passagens instrumentais épicas e bem executadas que reforçam a atmosfera guerreira presente em toda a obra.
Outro ponto de destaque é a performance do vocalista Ricardo Pigatto, cuja interpretação confere personalidade às músicas e transmite com eficiência a imponência e o espírito combativo que permeiam o conceito do álbum. Sua voz se encaixa perfeitamente nas linhas melódicas, contribuindo para tornar as canções ainda mais memoráveis.
A edição comemorativa lançada em 2022 não apenas resgata um importante capítulo da história da Dominus Praelii, como também permite que novas gerações descubram um trabalho que permanece relevante dentro da cena brasileira de Heavy Metal. Com sua combinação de temática histórica, musicalidade inspirada e identidade própria, Holding the Flag of War continua sendo uma obra sólida e representativa do metal tradicional nacional.




